REGINA CUNHA CELEBRA 50 ANOS DEDICADOS AO BALLET COM LANÇAMENTO DE LIVRO E NOITE ESPECIAL NO TEATRO VASQUES

0
70

Cinco décadas dedicadas ao ensino da dança, à formação de bailarinos e professores e à abertura de caminhos para o ballet em Mogi das Cruzes e no Alto Tietê agora ganham as páginas de um livro.

Para celebrar seus 50 anos de trajetória, a professora Regina Cunha lança a obra Regina Cunha – 50 Anos de Ensino de Ballet, que resgata sua história pessoal e profissional e sua contribuição para a dança na região.

O lançamento será realizado no dia 26 de setembro, a partir das 19h05, no Teatro Vasques, em Mogi das Cruzes, com entrada gratuita e aberta ao público. A programação contará com noite de autógrafos, homenagens e apresentações de ballet da Escola Regina Ballet, transformando a comemoração em um encontro entre diferentes momentos de uma história construída ao longo de gerações.

Viabilizado por meio de financiamento da Lei de Incentivo à Cultura (LIC) da Prefeitura de Mogi das Cruzes, o livro reúne histórias, fotografias, registros e depoimentos que ajudam a contar não apenas a trajetória de Regina, mas também parte da memória do ballet em Mogi das Cruzes e no Alto Tietê.

*Um sonho que começou na infância*
A história narrada no livro começa muito antes da criação da escola. Nascida em Mogi das Cruzes, Regina da Silva Cunha demonstrava desde pequena uma ligação especial com a dança. Aos três anos, já ensaiava movimentos pela casa e, ainda criança, dizia à família que seu desejo não era simplesmente ser bailarina: queria ser professora de ballet.

O caminho para transformar esse sonho em profissão exigiu persistência. Depois das primeiras aulas em Mogi das Cruzes, Regina ingressou na Escola Municipal de Bailado de São Paulo, atual Escola de Dança de São Paulo. Ainda adolescente, enfrentava uma rotina intensa de deslocamentos entre Mogi e a capital para estudar e se aperfeiçoar.

Mesmo diante da possibilidade de seguir outros caminhos na dança, Regina mantinha o objetivo que carregava desde menina: queria ensinar e fazer isso em sua cidade, criando oportunidades para quem não tinha condições de sair de Mogi das Cruzes para estudar. O próprio livro registra essa convicção e a crença de Regina no poder transformador da dança.

*Aos 16 anos, nascia sua primeira escola*
Em 4 de abril de 1974, aos 16 anos, Regina alugou uma sala no segundo piso de um imóvel na Rua Coronel Souza Franco, no Centro de Mogi das Cruzes. Sem recursos para colocar uma placa na fachada, improvisou uma folha de papel sulfite na porta anunciando as aulas e os horários disponíveis. Nascia ali a Aniger’s Ballet, nome criado por Regina a partir de seu próprio nome escrito de forma invertida.

Leia também -  CÂMARA DE MOGI DEBATE MUDANÇAS NA LEI “MOGI MAIS VIVA”

As primeiras alunas chegaram, novas turmas foram formadas e a escola começou a crescer. Ao longo dos anos, passou por diferentes endereços até se consolidar como Escola Regina Ballet, formando sucessivas gerações de bailarinos.

Mais do que ensinar passos e técnicas, Regina contribuiu para a formação de profissionais que também passaram a ensinar. Ex-alunas tornaram-se professoras, gestoras e proprietárias de suas próprias escolas, multiplicando pela cidade e pela região o conhecimento adquirido.

*Palcos para a dança em Mogi das Cruzes*
A atuação de Regina Cunha ultrapassou as paredes de sua escola. Ao longo das décadas, sua trajetória também ficou marcada pela realização de espetáculos e festivais, pela busca por espaços para apresentações e pela criação de oportunidades para que os bailarinos da região pudessem ocupar os palcos.

A Escola Regina Ballet foi pioneira no Alto Tietê na realização de espetáculos e festivais anuais. Quando Mogi das Cruzes ainda não contava com espaços adequados para receber esse tipo de apresentação, Regina improvisava soluções para garantir aos alunos a experiência de estar diante do público.

Algumas dessas histórias são recuperadas no livro. Houve apresentações no antigo Cine Avenida, no Teatro Vasques, na Universidade de Mogi das Cruzes e até em espaços improvisados. Em uma das ocasiões, Regina montou um palco na Praça Oswaldo Cruz, no Centro, e os pais dos alunos levaram cadeiras de casa. Além das famílias, quem passava pelo local também parava para acompanhar o espetáculo, em uma experiência que ajudava a aproximar a dança da população.

*Formação e oportunidades para além da escola*
Esse propósito de ampliar os espaços para a dança também está presente no Festival Alto Tietê de Dança, iniciativa que reúne escolas e bailarinos e cria oportunidades de formação, intercâmbio e contato com profissionais da área.

Leia também -  MARA BERTAIOLLI APRESENTA BALANÇO COM AUMENTO DE ATENDIMENTOS DO PRÓ-PET E NOVO WHATSAPP PARA O PÚBLICO

Por meio do festival, bailarinos têm acesso a avaliações de grandes mestres, workshops e oportunidades de bolsas de estudo. Regina define no livro que seu foco sempre esteve no crescimento do próximo, no artista e no talento, defendendo o desejo de fazer de Mogi das Cruzes um polo da arte da dança.

Ao longo de sua trajetória, Regina também se envolveu com a dança inclusiva. A experiência começou durante sua atuação no Sesi e levou a professora a integrar a Confederação Brasileira de Dança em Cadeira de Rodas desde sua fundação, em 2001. A iniciativa incorporou ao seu trabalho a dança como instrumento de inclusão social, expressão e superação.

A preocupação em ampliar o acesso também se refletiu na concessão de bolsas de estudo a jovens que não tinham recursos para custear aulas, figurinos ou a permanência na atividade. Dessa forma, alunos se tornaram profissionais, professores abriram suas próprias escolas e novos ciclos de formação foram criados.

*Uma história que atravessa gerações*
Cinquenta anos depois, o sonho da menina que queria ensinar ballet continua se multiplicando. Além dos inúmeros alunos e profissionais que passaram pela escola, a dança também atravessou gerações da própria família de Regina. Sua filha, Bárbara Schwarz, dá continuidade ao legado no ensino, enquanto sua neta, Giulia Maria, já trilha seu caminho nos palcos internacionais.

Agora, ao transformar essa trajetória em livro, Regina deixa também um registro para a memória cultural da cidade e das novas gerações da dança. Nas páginas da publicação estão histórias de desafios, conquistas, alunos, professores, espetáculos, festivais e pessoas que ajudaram a construir uma caminhada iniciada quando o ballet ainda dava seus primeiros passos na região.

Ao olhar para essa história, Regina define os 50 anos como a transformação de um sonho de menina em uma missão de vida e divide a conquista com familiares, mestres, alunos, professores, amigos e colaboradores que fizeram parte desse percurso.

A noite de 26 de setembro, no Teatro Vasques, será, portanto, mais do que o lançamento de uma publicação. Entre autógrafos, homenagens e ballet no palco, será uma celebração de uma trajetória que ajudou a formar gerações e a escrever parte da história da dança em Mogi das Cruzes e no Alto Tietê.

Compartilhar:

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui