CÂMARA OUTORGA TÍTULO DE “CIDADÃO MOGIANO” AO PADRE DIEUDONNÉ N’DALA, O PADRE DIDO

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Em sessão solene nesta quarta-feira, 29, a Câmara Municipal de Mogi das Cruzes outorgou título de “Cidadão Mogiano” ao pároco da Igreja da Vila da Prata, padre Dieudonné Bukasa N’Dala, mais conhecido como padre Dido. O religioso foi homenageado por iniciativa dos vereadores Francimário Vieira Farofa (PL), Iduigues Martins (PT), Inês Paz (PSOL), Johnny da Inclusão (Avante), Otto Rezende (PSD), Maurinho do Despachante (PRD), Johnross (PRD) e Edson Santos (PSD).

Os trabalhos legislativos foram presididos pelo presidente da Casa de Leis mogiana, Farofa, com o vereador Maurinho do Despachante (PRD) na primeira secretaria.

Além deles, compuseram a mesa diretiva Paulo Eduardo de Oliveira Faria, secretário adjunto de Governo — representando a prefeita Mara Bertaiolli (PL) —, o bispo diocesano de Mogi das Cruzes, dom Pedro Luiz Stringhini, o desembargador do TJ/SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) Oséas Davi Viana, o ex-prefeito de Santa Isabel, padre Gabriel Bina, hoje páraco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo de Sabaúna, o próprio homenageado e os vereadores Inês Paz, Johnross e Iduigues Martins.

Inês Paz, uma das autoras da homenagem, fez questão de elogiar o padre Dido. “É uma sensação diferente falar dele. Ele veio de tão longe e trouxe o resgate da ancestralidade do nosso povo, com suas missas afro muito significantes e fortes”.

Em seguida, falou o coautor vereador Iduigues. “É uma imensa alegria homenagear o padre Dido, que cruzou o oceano para vir evangelizar em Mogi. Para isso, foi necessário renunciar à sua terra natal e às pessoas que ele amava. Tudo para levar a palavra de Deus, que ele cumpre à risca. Nem todos têm tamanha coragem”.

Maurinho do Despachante foi mais um a se manifestar. “O padre Dido é muito querido pelo povo de Mogi. Ele faz a diferença para aqueles que precisam, cumprindo a sua missão de forma brilhante”.

Johnross também deixou seu reconhecimento ao homenageado. “ Junto com a vocação, o padre Dido trouxe acolhimento de alegrias e tristeza. Esta noite é muito especial. Esta Casa de Leis está cheia pelo fruto do amor verdadeiro do padre Dido. A história do padre Dido se mistura com a da nossa Cidade. Esse título é mais do que merecido”.

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O desembargador Oséas Davi Viana enalteceu o homenageado. “Padre Dido é um orgulho para todos nós. Eu o conheci dando os primeiros passos na nossa Cidade. Naquela época, eu já o adorava. Sinto-me muito feliz em participar desta honra. Seu trabalho é merecedor de comoção e reconhecimento”.

O bispo diocesano parabenizou o sacerdote. “Hoje é um dia especial. Vi o trabalho dele na Vila da Prata, com sua pastoral afro vibrante em nossa Diocese. Sua missão religiosa é admirável, com uma imensa dimensão social em seus serviços em benefício dos mais pobres. Ele também tem um valor cultural enorme, vindo da África, cuja história se mistura com a nossa”.

Paulo Eduardo de Oliveira Faria, secretário adjunto de Governo, falou em nome da prefeita. “Tenho carinho especial pelo padre Dido. Deixo um abraço carinhoso da nossa prefeita. Hoje, é um dia simbólico. O coração de Mogi já escolheu o padre Dido como seu filho há mais de 20 anos. Deixo meus sentimentos sinceros de gratidão e reconhecimento. O senhor abençoou meu casamento e batizou meus filhos”.

O homenageado agradeceu a concessão da honraria. “Tenho muito a agradecer ao longo desses 20 anos. Eu construí uma família além da minha família de sangue. Vocês todos fazem parte da minha família. Este título me deixa cheio de felicidade e gratidão. Que Deus abençoe a todos”.

Farofa encerrou os discursos. “É uma alegria muito grande ver esta Casa de Leis lotada. Isso é a prova do amor e do respeito do povo pelo padre Dido. É a maior honraria que se concede neste Município. O padre Dido deixou um legado de amor e carinho e se tornou um grande amigo”.

Biografia

Dieudonné Bukasa N’Dala, carinhosamente apelidado pela população de Mogi como padre Dido, ao longo de quase duas décadas, trouxe expressivas contribuições a Mogi das Cruzes, no âmbito social, cultural e religioso.

Nascido em 31 de dezembro de 1973, na República Democrática do Congo, o homenageado cresceu na cidade de Kinshasa, onde realizou seus estudos primários e secundários. Desde jovem, o sacerdote demonstrou vocação religiosa, frequentando a Paróquia Cristo Rei no Congo, da qual ele participou ativamente como coroinha e integrante da Pastoral dos Jovens da Luz.

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Aos 18 anos, padre Dido ingressou no seminário dos Missionários Combonianos, realizando seus primeiros votos religiosos em 1998, quando chegou ao Brasil, na cidade de São Paulo.

Nesse período, o sacerdote concluiu seus estudos em Teologia, desenvolvendo intensa atuação pastoral na Paróquia da Reconciliação, na Vila Madalena, bem como em comunidades periféricas de São Paulo e Santo André, com forte engajamento na Pastoral Afro e no GRENI (Grupo de Reflexão dos Religiosos Negros e Indígenas).

Foi ordenado diácono por dom Pedro Luiz Stringhini em 2002, na Zona Leste de São Paulo, e posteriormente retornou à África, onde foi ordenado sacerdote em 17 de agosto de 2003, em Kinshasa.

Em 2006, padre Dido chegou a Mogi das Cruzes, assumindo a função de pároco da Vila da Prata, na qual permanece até os dias atuais.

Em 2015, participou ativamente da criação da Paróquia Santa Cruz de Biritiba Ussu. Atualmente, padre Dido é responsável por cinco comunidades, atendendo pastoralmente desde a Vila da Prata até o Km 11 da Rodovia Mogi-Bertioga.

Destacam-se ainda a construção e a reforma do salão e das salas da Vila Moraes, a edificação da nova Igreja da Primavera, do Espaço de Eventos da Vila da Prata e da Comunidade Santa Paulina do Oropó, realizadas com ampla participação popular. Além de sua atuação pastoral, ele contribuiu socialmente com a admissão e apoio à Creche Irmã Salvadora e se destaca pelo protagonismo na Pastoral Afro, promovendo a conscientização e a valorização da identidade negra.

No campo acadêmico, é graduado em Filosofia pelo Philosophat Edith Stein (1996) e em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção – PUC São Paulo (2002). O homenageado é ainda mestre em Antropologia pela PUC São Paulo (2013).

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