Uma força-tarefa formada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou, nesta quinta-feira (31), a segunda fase de uma operação que apura um esquema bilionário de corrupção envolvendo servidores da Prefeitura de Guarulhos, na Grande São Paulo. As autoridades investigam o desvio de aproximadamente R$ 14 bilhões em tributos municipais ao longo de 16 anos.
Batizada de Operação Publicano, a apuração teve início em 2020, após uma denúncia anônima que relatava fraudes na Secretaria da Fazenda. As investigações revelaram um esquema de manipulação de dados do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), com o objetivo de isentar construtoras e escritórios de arquitetura do pagamento correto do imposto. Posteriormente, o esquema mostrou-se ainda mais amplo, atingindo também as secretarias de Desenvolvimento Urbano, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico e de Justiça.
De acordo com o inquérito, os envolvidos aplicavam pelo menos 14 modalidades diferentes de fraude em diversos tributos municipais, favorecendo mais de 600 pessoas físicas e jurídicas, incluindo donos de construtoras, empresas, cartórios e profissionais liberais.
Nesta nova fase, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em dez endereços ligados aos investigados. A operação mobilizou 53 agentes civis e 23 viaturas.
A Prefeitura de Guarulhos afirmou já ter afastado 14 servidores suspeitos. Parte deles, no entanto, solicitou aposentadoria após a primeira fase da operação, deflagrada em dezembro de 2022. O atual prefeito, Lucas Sanches (PL), declarou que a administração está colaborando com as investigações e garantiu que os responsáveis serão responsabilizados civil e criminalmente.
“A gestão vai atrás de recuperar o prejuízo aos cofres públicos. A cidade é a maior interessada em encerrar essa investigação e punir todos os envolvidos, tanto quem fraudou quanto quem foi beneficiado”, disse o prefeito em entrevista ao portal Metrópoles.
A Secretaria da Segurança Pública informou que o caso está sendo conduzido pelo setor especializado no combate à corrupção, crime organizado e lavagem de dinheiro, com foco nas irregularidades ocorridas na Secretaria de Finanças.
O ex-prefeito de Guarulhos, Gustavo Henric Costa (PSD), também se manifestou por meio de nota. Segundo sua assessoria, em sua gestão foram afastados preventivamente 25 servidores da Secretaria da Fazenda após as primeiras descobertas.



























